Qual o melhor teste para avaliar a qualidade de sementes?

Eis a pergunta de um milhão de dólares: qual o melhor teste para avaliar a qualidade de sementes? E a resposta para essa pergunta é uma só: Depende.

Nós já vimos nas nossas conversas anteriores, que dos atributos que compõe a qualidade de sementes, o atributo fisiológico é o que mais tem despertado interesse em pesquisas de Tecnologia e Análise de Sementes. E que as empresas produtoras, para auxiliarem em suas tomadas de decisões, utilizam os testes de vigor como grandes alicerces no controle de qualidade.

Além disso, vimos que vigor de sementes, diferente da germinação, não constitui uma característica simples e mensurável de um lote de sementes, mas um conceito que envolve vários atributos associados ao potencial da semente em germinar e originar plântulas vigorosas, com emergência rápida e uniforme em campo e maior probabilidade de sucesso no estabelecimento do estande e conservação durante o armazenamento, sob ampla variação das condições ambientais.

Mais ainda, sendo o vigor o reflexo da manifestação de um conjunto de características, notavelmente, um único teste não é capaz de indicar com razoável precisão o potencial de desempenho das sementes expostas as mais variadas situações. É necessário então, para tornar ainda mais eficiente a estimativa do comportamento das sementes, a junção de informações provenientes de diversos testes de vigor. Mas quais testes utilizar? Como utilizá-los?

Um agravante à essa questão, é a impossibilidade da quantificação do vigor e as dificuldades tanto para a compreensão do seu significado quanto para a comparação de informações obtidas em diferentes testes.

Por exemplo, testes de vigor não trazem informações do número exato de sementes que vão germinar no campo do agricultor. Um resultado de 90% no teste de envelhecimento acelerado (teste que prediz sobre a germinação de sementes após submetidas às condições de alta umidade e alta temperatura) não significa dizer que 90% das plântulas vão sobreviver quando expostas a condições similares em campo, mas sim que um lote que originar 90% de plântulas normais nesse teste, tem maior probabilidade de apresentar melhor comportamento em campo, sob estresse, que um lote onde o resultado desse teste tenha sido de, por exemplo, 70% de plântulas normais.

Já na comparação de informações obtidas em diferentes testes de vigor, como comparar por exemplo, um teste de crescimento de plântulas, com resultados expressos em cm, com os do envelhecimento acelerado, expressos em porcentagem de plântulas normais? Nesse caso, para facilitar a intepretação, o que mais se utiliza é a ordenação dos lotes segundo o potencial fisiológico.

No controle interno de qualidade, as empresas são encorajadas a criarem os seus próprios valores de referência como forma de balizamento de padrões de qualidade, sempre considerando a espécie que se está analisando e quais os objetivos que se quer alcançar com o programa de controle de qualidade. Consideram-se esses padrões de referência, tanto mais altos quanto mais evoluída a empresa e maiores as exigências dos seus clientes.

De forma geral, na escolha dos testes de vigor, estes devem apresentar características que justifiquem seu uso adicional nos programas de controle de qualidade interno, como: simplicidade (para serem executados em diferentes laboratórios por diferentes analistas, sem necessidade de equipamentos sofisticados e conhecimento demasiadamente aprofundado); rapidez (para permitir a tomada pronta de decisões pensando principalmente nas épocas de “pico de análises”); baixo custo (adotar métodos com menor necessidade de investimentos e gastos excessivos com material de consumo); objetividade (para maior facilidade de interpretação); reprodutibilidade (para possibilitar a comparação entre resultados obtidos por diferentes analistas e laboratórios) e por último, resultados relacionados com a emergência das plântulas em campo (os resultados de testes

de vigor e o ranqueamento de lotes devem ser comparáveis aos de emergência das plântulas em campo, para monitoramento de sua eficiência).

Então pessoal, não existe um melhor teste de vigor para avaliar a qualidade de sementes, mas sim, um teste que melhor atenda às necessidades da empresa produtora de sementes naquele momento. Faz parte dos bons resultados que se quer alcançar, a correta interpretação e a melhor aplicabilidade dos testes de vigor no controle de qualidade de sementes.

Um lembrete: testes de vigor aferem a qualidade de sementes, mas a qualidade mesmo, é estabelecida em campo, heim!!!!!

Raquel Pires


Raquel Pires é Engenheira Agrônoma (UFVJM), Mestre em Agronomia/Fitotecnia (UFV) e Doutora em Agronomia/Fitotecnia pela (UFLA). Realizou parte do doutorado na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de Lavras no Departamento de Agricultura, Setor de Sementes. É Responsável Técnica do Laboratório de Análise de Sementes da UFLA e representante da UFLA na Comissão de Sementes e Mudas de Minas Gerais.

LINKEDIN: https://www.linkedin.com/in/raquelmopires/

8 thoughts on “Qual o melhor teste para avaliar a qualidade de sementes?

  1. Sempre muito bom os artigos desse blog!!
    Obrigada pela divulgação de informações 🙌🏻🙌🏻

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