AMOSTRAGEM – O primeiro e mais importante passo para a análise de sementes

A demanda por sementes de alta qualidade cresce a cada ano como aliada na busca por maior produtividade e lavouras de alto desempenho. Neste cenário, avaliar as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias dos lotes comerciais de sementes, em todas as etapas do processo de produção até que chegue ao consumidor final, é essencial, sendo fundamental o comprometimento com as análises e metodologias descritas para essa finalidade.

Entretanto, por mais criteriosa que seja a análise, os resultados obtidos não terão valor caso a amostra analisada não seja representativa do lote da qual foi retirada. Como a amostra se origina de um lote de sementes, é esperado que o resultado do teste reflita a qualidade média do lote. Para isso, além do lote ser homogêneo, a amostra deve conter todos os componentes em proporções semelhantes aos do lote de sementes.

A grosso modo, equivale a você utilizar 400 sementes de milho na montagem de um teste de germinação, e essas mesmas sementes representarem um universo equivalente a 40.000kg, ou aproximadamente 120 milhões de sementes.

É ou não é, uma grande responsabilidade?

No entanto, o procedimento que dá nome à essa etapa, é muitas das vezes, negligenciado. Chamando de amostragem, esse procedimento é o primeiro e fundamental passo para se realizar a análise de sementes. É considerado um  procedimento oficial, recomendado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e descrito nas Regras para Análise de Sementes (RAS) em seu primeiro capítulo. Tem por objetivo obter uma amostra de tamanho suficiente para os testes em laboratórios, de forma que representem minuciosamente a composição do lote de sementes original.

Calador: equipamento utilizado para retirar amostra de sementes em sacarias com precisão e segurança. Foto: Raquel Pires

E sendo tão importante, ela somente pode ser feita por pessoas treinadas para tal, profissionais qualificados e com registro no RENASEM (Registro Nacional de Sementes). Além de ser extremamente importante, que seja feita em todos os estágios da avaliação da qualidade das sementes, desde sua obtenção, produção, colheita, beneficiamento, tratamento, armazenamento, análise, até a fiscalização do comércio, uma vez que, a característica de um volume ou lote de sementes, está baseada na amostragem executada segundo procedimentos previamente descritos.

É essencial que as amostras sejam obtidas e preparadas com todo cuidado, sendo esse procedimento técnico descrito no livro texto, bastante criterioso. Os resultados referem-se à qualidade das sementes contidas na amostra submetida a exame, o que justifica a tamanha atenção e cuidado que o amostrador deve ter para assegurar que a amostra enviada ao laboratório de sementes para análise, represente corretamente o lote inteiro de sementes.

Dessa forma, refaço meu convite a vocês:

Vamos juntos produzir as melhores sementes?

Raquel Pires


Raquel Pires é Engenheira Agrônoma (UFVJM), Mestre em Agronomia/Fitotecnia (UFV) e Doutora em Agronomia/Fitotecnia pela (UFLA). Realizou parte do doutorado na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de Lavras no Departamento de Agricultura, Setor de Sementes. É Responsável Técnica do Laboratório de Análise de Sementes da UFLA e representante da UFLA na Comissão de Sementes e Mudas de Minas Gerais.

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/raquelmopires/

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